O boxe chinês só passou a ser considerado um esporte depois que as lutas corporais deixaram de ser simplesmente uma prática popular na China. O que antes geralmente terminava em graves ferimentos, devido à falta de regras, hoje respeita toda uma técnica e regras. Regras essas que Rodrigo Reis de Camargo, 30 anos, sabe muito bem, tanto que já ganhou competições importantes dentro e fora do país. Para ele, o boxe chinês é mais completo do que os outros esportes porque envolve mais atividades. “É o que a gente chama de entroncação. Tem mais socos, chutes, joelhadas”, explica.
Em maio desse ano, o atleta, que também é instrutor, trouxe para Itajaí uma premiação de prestígio. Foi campeão sulamericano de boxe chinês no Chile, pela categoria absoluto. Para chegar lá, o boxeador teve um longo caminho pela frente: ganhar o Campeonato Estadual para, mais tarde, fazer parte da seleção Catarinense. O Brasileiro veio logo depois, mas também não intimidou Rodrigo. Para ir ao Chile, foi preciso treinar pesado para garantir sua vaga no Campeonato. “Antes das competições, eu treino quatro ou cinco horas diárias”, explica. Desafio vencido.
Clique nas fotos para ampliá-las:
- Professor Limírio (à direita) com outro aluno campeão
- Equipe de boxe chinês no Chile
- Um dos alunos da academia de Rodrigo e Limírio compete
- Da esquerda pra direita: presidente da Federação Catarinense de wushu – boxe chinês, o professor Nelsinho, técnico da Seleção Brasileira de boxe, professor Limírio e o campeão, Rodrigo, em um treino do Brasileiro
Sem apoio de qualquer empresa catarinense ou até mesmo da prefeitura de Itajaí, o atleta bancou tudo – desde a passagem até estadia em hotel de nível. Apesar da vitória no sulamericano, Rodrigo não teve retorno financeiro. “É só mesmo o prestígio dentro das artes marciais”, completou. Com a conquista, o boxeador terá direito a bolsa atleta internacional do Ministério dos Esportes, que dá uma razoável ajuda de custo ao esportista.
Para vencer a final do sulamericano, Rodrigo acredita que foi fácil, já que estava muito bem preparado e concentrado. Mas, nem sempre é assim. “Não é só chegar lá e lutar. Mexe com o psicológico”, afirma.
Por fazer parte da categoria acima de 90 kg, o atleta pode enfrentar pessoas com muito mais peso que o seu. “O que vem, eu enfrento. Já peguei um que tinha 20 kg a mais que eu. Mas venci”, orgulha-se.
Rodrigo e seu treinador, o professor Cláudio Limírio, que tem 22 anos de carreira e é especializado em boxe chinês, têm uma academia que ensina boxe chinês, jiu-jitsu e kung fu. “O nosso objetivo não é competição, mas o condicionamento físico. A gente não espera a competição, acontece”.
Texto: Mariana Reibnitz Vieira
Fotos: Divulgação




Escrito por esporteporelas